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Vilar de Andorinho detém uma
posição geográfica estrategicamente privilegiada. Rodeada por cinco
das mais importantes freguesias do concelho de V. N. Gaia - Oliveira do
Douro a Norte, Avintes a Leste, Pedroso a Sul, Canelas e Mafamude a
Oeste – estabelece fronteira com o centro da cidade, interligando-se e
complementando-se com ele, quer a nível de serviços, quer a nível de
outros sectores de actividade.
A abertura do troço da Estrada 222, que corta o território a meio,
veio melhorar significativamente as facilidades de comunicação com o
exterior e a própria situação da freguesia, bem como a sua divulgação
pública. A ligação directa à Avenida da República conduziu a um
acentuado assédio de tráfego, nomeadamente de pessoas vindas do
interior do país, que passam necessariamente por Vilar de Andorinho,
acabando muitas por aqui ficar.
Apesar de não ser uma freguesia muito grande em área (cerca de 16.350
km2), comparativamente a outras bem mais dilatadas, a sua inclinação
acentuada transforma-a numa espécie de miradouro concelhio,
nomeadamente no cimo do Monte da Virgem, no ponto mais alto de Vila Nova
de Gaia, o que lhe confere uma posição de relativa altivez natural no
seio do Concelho.
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ROTEIRO TURÍSTICO

Percorrendo a freguesia de Vilar de Andorinho com o chamado olhar clínico
e a sempre necessária preocupação histórico-cultural, deparamo-nos
com muitos monumentos e templos, espalhados um pouco por toda a parte,
que nos ajudam a perceber melhor a sua própria história.

Tal como acontece em qualquer outra freguesia ou local, a Igreja
Paroquial de Vilar de Andorinho ocupa uma posição de natural destaque,
até pela sua localização, mesmo no centro da comunidade, junto ao
actual edifício da Junta de Freguesia. E também tal como costuma
suceder nos outros casos, foi igualmente alvo de vários melhoramentos
ao longo dos tempos. O templo primitivo era do mais simples que se pode
imaginar: quatro paredes e duas águas. A nova Igreja foi então mandada
edificar num outro local, pelas freiras de Santa Clara, no século XVII.
Mesmo assim sem grandes primores, segundo rezam as crónicas. Os
acrescentos artísticos vieram mais tarde, nomeadamente no século XVIII,
altura das grandes reformas na Igreja
Apareceu a torre sineira, e em 1767 surgiram
muitos mais
melhoramentos: a Capela-Mor, que até então não existia, e um novo
Altar-Mor ao estilo da época - rocaille - que, não sendo de proporções
exageradas, é dos maiores e dos mais bonitos de todo o Concelho: quatro
colunas cilíndricas revestidas de medalhões, e ornatos com platibandas
assentes em duas mísulas suportadas por dois anjos; mais acima, dois
serafins seguravam o lampadário (que agora se apresenta sobre um
candelabro de ferro forjado); bem visível ainda um painel com a Ceia de
Cristo, de qualidade inegável. Em natural realce no interior do edifício,
surgem-nos aos olhos as bonitas imagens de Santa Clara, S. Bento, e dos
Santos Reis, que deverão ser de época anterior. Estas resistiram quase
milagrosamente incólumes pelo tempo fora, apresentando-se ainda
nas suas formas e pinturas originais. Mas não são as únicas imagens
do templo. Também a da Senhora do Rosário merece uma referência
especial, devido ; à finura de traços e à perfeição do trabalho. E
ainda o Santo António, do século XVII, e de concepção triangular, a
Senhora da Conceição, o S. Sebastião, o S. Caetano, o conjunto de
Santa Ana e o S. João Baptista (ainda criança), este último
localizado no baptistério. Para além do Altar-Mor, com talha e
acabamentos mais simples, existem quatro altares: o Altar das Almas, o
Altar dos Santos Reis (do lado Norte), o Altar de Nossa Senhora de
Lurdes e o Altar de Nossa Senhora de Fátima (do lado Sul).
Capelas
Espelho das crenças e da fé de um povo são ainda as capelas, que se
desmultiplicam por todo o lado. Vilar de Andorinho não foge à regra, e
conta com várias, umas mais antigas, outras mais recentes, umas públicas
outras particulares.

Principiando pela mais antiga
de todas - a Capela de S. Lourenço – constatamos a relativa modéstia
da sua concepção arquitectónica, devido a esse mesmo factor de
antiguidade, destacando-se a sua galilé, e em cujo altar, sem estilo
definido, figuram as imagens de S. Lourenço e de Santa Guadalupe.

A
capela de Balteiro foi a segunda pública a ser
construída. Inaugurada nos princípios da década de 1970,
exterioriza umas linhas singelas, mas apresenta umas bem mais
trabalhadas no seu interior.

E a Capela da Serpente, que serve os
lugares da Serpente, da Rechousa e do Alto das Torres, foi a terceira
capela pública a surgir. Quanto às ditas capelas particulares, uma que
merece natural realce é a da Quinta do Soeime, até pelo espaço onde
se encontra integrada. Esta é uma Quinta com um passado rico e
preenchido, que começa provavelmente no século IX, altura em que seria
pertença de um nobre mouro de nome Zoleima, que derivou para Soeima, e
finalmente para Soeime. Ao longo dos tempos, foi mudando de dono, e foi
também beneficiando de diversos melhoramentos que a enriqueceram em
beleza e qualidade. À moradia propriamente dita acresce um amplo
terreiro com uma fonte em granito (de estilo barroco) e um nicho com a
imagem de S. João Baptista, brotando a água de três bicas para um artístico
tanque e ainda uma mata de elegância aristocrática, muitos campos de
cultivo, pomares, roseirais e um belo jardim de buxo e cameleiras raras.
A Quinta de Paço Vitorino também possui capela própria, que é
considerada uma pequena jóia do barroco. Assim como a Quinta da Madre
de Deus, situada na Serpente. Esta última é detentora de um belo retábulo
maneirista onde figura o conjunto da Santa Família. Todas estas capelas
se encontram inseridas em Quintas de grande significado histórico e de
grande beleza, que merecem ser visitadas.
Mas encontram-se ainda outros locais dignos de registo em Vilar de
Andorinho. A Quinta do Outeiro, por exemplo, existente pelo menos desde
1640, ou a Quinta da Mata. E as várias "Casas" da freguesia,
a Casa Castro, a Casa Tavares, a Casa Dias e a Casa Pareira, entre
outras. Não convém deixar de realçar alguns pequenos
"monumentos" que aparecem aqui e ali, tais como a antiquíssima
Fonte de Vilar (cuja primeira referência oficial é já de 1594) ou o
Cruzeiro da Rua do Souto de S. Lourenço.
Tudo isto e muito mais será possível vislumbrar em Vilar de Andorinho,
uma freguesia atraente e hospitaleira, onde é possível desfrutar dos
prazeres da ruralidade, misturados já nos dias de hoje com o essencial
da vida urbana
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